domingo, 20 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Respiro,
Aprecio e fecho os olhos que no fumo permanecem
Em bocas saciadas dominadas pela rotina
Repetindo imaginários princípios de satisfação
Quebrados em contractos adicionais.
Sobre a consciência perdida, desço na névoa
E volto sempre que não volto.
Em pensamento, o corpo frágil;
No desejo, S.O.S ou dependência.
É alivio momentâneo de uma luta pela vida
Um pouco mais mesmo que tarde
Filtro a dor mas mais não sou,
Aventuras mal vividas de um cigarro pensador.
Entre sombras a vontade,
Agradecimentos que palpitam
nesse enredo mecanizado
Um alivio em sensações
Esquecem-se feridas, mudam-se ventos
E ergue-se esse tempo já tão morto em vida alheia.

quinta-feira, 10 de março de 2011


" (...) Quando se mora, tudo fica mais perto. Um prédio é uma casa só, inteira de única. Todos, no prédio, são noivos do mesmo espaço. Matrimoniados pelo mesmo habitar. Acredite, a vizinhança é um casamento. Veja lá: os quartos adormecem encostados uns aos outros. Os filhos dos vizinhos gritamo-lhes ralhando com os nossos. Nos cheiros provamos a comida alheia antes de ela ser servida lá, na respectiva casa. Somos os dois lados da parede, um e outro, não acha? (...) "

Mia Couto