quinta-feira, 29 de julho de 2010

casa da minha coinsciência


Vejo uma casa cheia de luz
Porém vazia, assombrada pelo medo da certeza
Onde as memórias são reflectidas pela melancolia

A casa diz, eu sei
Eu grito, EU NÃO

E percorro o telhado à procura de uma fenda
Onde possa encontrar uma saída
Para a incerteza da volta,
De tudo o que sei que me faz mal
Nessa casa moro eu,
Mora a minha consciência
E mora tudo o resto que o mundo desconhece - a verdade
A luz que me prende e eu finjo não ver

Eu digo, VOLTA
A casa diz, NÃO QUERO MAIS

Nada que a ilusão não cure
Nada que um mar de lágrimas não suporte
De tudo o que nos faz mal e a consciência finge não ver
E seremos cúmplices de todas as aventuras
Dos podres da aparente perfeição
Que intencionalmente criámos sem a verdade saber

Poluição mental que me invades sem permissão
És luz egocêntrica
Sinónimo para ti não há
Puta de luz hipnotizante que não te apagas
Vai iluminar a casa da consciência de outro alguém
Nesta casa já não mora quem pensas
Ilumina a alma dos que têm a certeza


A casa sussurra, volta
Eu afasto-me da sombra da certeza que em tempos de ilusão criei

domingo, 25 de julho de 2010

restos de ferrugem


Arranquei o órgão que me faz viver e guardei-o numa caixa a sete chaves, para que a lua possa de novo hoje sorrir para mim. Deitei-a fora e espero não ter que me cruzar com ela de novo, porque chaves mágicas que abrem todas as portas não são de confiança. Levam-te a pensar que são exclusivas para abrir apenas a porta do teu mundo quando por trás, em segredo, encaixam na perfeição na fechadura da porta do mundo de outro alguém. Chaves dessas eu não preciso, até porque se fabricam a toda a hora. É mão-de-obra barata misturada com ilusão de luxúria. Podem parecer divinas e fazer-te sentir invencível, mas é apenas de passagem até a tinta desaparecer. Aí , irás entender que perdeste toda a tua dignidade e que chaves bipolares só os burros é que as compram. eu fui burra, nos tempos em que o vento me cegava e eu não pesquisava bem o conteúdo do material. Agora sou pró na caça de falsificações. Tentei descalçar-me de mim. Pensei que podia correr o mundo nos pés de um desconhecido de passagem, mas a minha alma sabe bem o meu valor. Agora que sou livre, posso eu própria abrir o meu mundo e descobrir melhor o que há em mim. A chave mágica foi útil, mas é agora apenas restos de ferrugem de um sopro nas memórias da minha insónia.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

moda vertical


Cansei-me dos versos, da poesia agressiva. Cansei-me de tudo sem me cansar de nada. É recíproco, o mundo cansou-se igualmente de mim. E tudo o que pensei ser magnífico, não passou apenas de teorias vulgares vistas na mente de alguém com insanidade mental. É urgente encontrar o sentido nesta auto-estrada onde tudo corre em contra-mão. Nas linhas da auto-estrada de ontem, quebraste o sentido. Ontem e apenas ontem. Ontem, nunca mais. Cansei-me dessa escrita que só foi feita para agradar a estética. A simplicidade toca-me. É beleza escondida por entre letras que não respiram. É certo que tem outra autenticidade visto na vertical, mas nada é certo. E a mim cá me parece que as pessoas melhor me entendem em linhas sufocantes que se atropelam na horizontal.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

cúmplice


Ela vem e vai, como um vento rebelde que não pára
Mas quando fica, inunda toda a inocência presente.
Não é vítima de um louco que anda à solta,
Apenas se fez cúmplice nos seus dias de loucura.
E a sua voz, rasga e arrepia o corpo de quem quer,
De quem sabe o que deseja.
Pois ela vem e vai
Nada fica, tudo muda.
Mas há sempre um brilho mágico que a faz voltar à loucura
Da caça de um louco à solta,
Onde o vento caça o louco num ápice fugaz
E desfaz o seu corpo em pedaços de loucura.
Uma cúmplice que se rende e faz render entre a sensualidade
Do seu jovem corpo de mulher,
Para o louco é fatal, porque ela vem e vai
Ela é vento rebelde que não sabe o que quer.

domingo, 18 de julho de 2010

malabarista


É malabarismo , como trocas num toque quase suave tudo o que te passa pelas mãos. E num acto discreto percorres todos os corpos, mas é apenas o meu que te recebe sempre e te deixa permanecer. No fundo, é no meu corpo que queres viver, porque na magia do tempo que corre todos te usam, todos te querem, todos te fascinam. É apenas no momento. Liberta esse orgulho que te corre nas veias. volta a ser quem eu pensava que eras. entrega a tua alma de novo ao diabo e deixa-me preenche-la com toda a pureza que não consegues sequer imaginar. Apenas o pecado pode permanecer, para alimentar este desejo que nos consome, que nos atormenta e que nos faz sempre voltar. Vem ser um todo do nada que a sociedade teima em destruir. Deixa-te de trocas ilusórias que te magoam. Larga esse vício de objecto usado-reciclado . Vem, mas não esperes que desta vez eu fique. Vem, mas não me suicides da forma que leva ao caminho da morta interior que pensas que quero ser e manter. malabarista , vem permanecer em mim. Merda ! Eu já sei que me vou esquecer de me esquecer de ti.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

depressão matinal




É bom acordar de manhã sem dores de cabeça e sem o stress a perfurar os neurónios e a sugar toda a pouca paciência existente. Mas de uma coisa estou certa, não há nada mais aliciante do que acordar de olhos inchados e com uma dor de cabeça a rebentar devido ao ataque sentimentalista da noite anterior, e ainda assim, saltar da cama com energia vinda do além para preparar o pequeno-almoço. É bom estar no banho e ter algo em que pensar, nem que seja em problemas. Ao menos deixa-se os problemas fugir com a água que escorre pelo corpo, como uma corrente, tão rápido para que não possamos ter tempo de juntar todas as peças. Deixamos os problemas respirarem um pouco, para que depois do banho possam voltar a infiltrar-se de novo e criar o estado de melancolia. Mas o que mais adoro pela manhã é nem me dar ao trabalho de colocar os óculos para a visão. Lentes progressivas para quê? Eu gosto de ver o mundo desfocado de manhã, para que a minha boa disposição venha acompanhada com o meu sarcástico humor. Admito que o mundo de uma perspectiva desfocada até tem o seu charme. Às vezes quando saio de casa sem óculos e reparo na beleza do mundo, logo me apercebo que falta algo e volto para trás. Na volta, o mundo e as pessoas perdem toda a piada e encanto. Com óculos já consigo ver nitidamente o stress, o ódio, os problemas a frustração em cada expressão. “Bom dia” digo, mas olham-me de lado e passam apressados com medo que o trabalho fuja, como se um acto de boa educação lhes comesse as tripas. Enfim, amanhã lá estarei de novo para dizer bom dia e levar com a indiferença das pessoas. Isso deixa-me deprimida.