
Serve-te das minhas lágrimas
Ou já não fosses tu o tempo, paixão e desejo.
A sede e loucura da tentação que ferve pelo meu corpo
Fazem as palavras disparar sobre ti,
Demasiado intensas para que as possas sentir.
Hoje, ou talvez nunca quem sabe
Entenderás o que sentes sem partilhar
A raiva, em ferida dada à decomposição.
Mutilada transparece a minha alma
Que brilha, de orgulho sobre a liberdade
Suplicada em todas as manhãs cinzentas.
Que pecado controla a consciência do quanto te suplico?
Dos quantos porquês que não procuro a não ser,
Se pretendes rastejar em mil poças de lamentos
Onde o vento te leva, te sufoca
Em meu auxílio neste silêncio sedutor.
Sentir sem te tocar,
Ou perder-me nos teus sonhos
Onde paira o teu corpo se a tua aura escapou
À saudade de tudo o que não viveu.
Como num último beijo.
Dessas palavras sussurradas perde-se a sede
Em saliva,
Presas a uma língua tão pouco quente
E demasiado fria em movimentos.
Equivalente à estranha loucura que o sexo matou ,
Um desejo insólito onde te sinto como num sopro que inquieta.
Sobre a energia que aperta os meus lábios
Há fome que imagina,
Os meus lábios morderem no novo os teus.
Sempre tão presentes mas tão esquecidos no espaço
Sem luz, onde é tempo de apagar de vez
O segredo intenso que caminha sem qualquer direcção.