quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011



Nunca é simétrico um olhar de quem não sabe sentir
Apavorado na entrega total,
Onde na defesa dos sentidos correm em filas secretas
Os vagabundos, mutilados de solidão.
Tal a prece que não chega,
Tanto quanto o sabor real
Misturado em leves toques de maresia;
Desce riachos feitos de sonhos
Em festivos tributos alegóricos,
Onde se senta em pensamentos
E atropela os que não esperam.
Se quem não pressente a vontade não demora,
Num ensaio paralelo
Dançam as almas em seguimentos rotativos,
Numa prisão suserana espelhada sem afectos.
O Ceifeiro de vidas,
Mente bem como a morte,
Vem em silêncio mas todos o esperam.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Gatos da Noite


Despe-se a lua
E os gatos lá fora lançam feitiços inquebráveis.
Pureza mansa corre no tempo
Moribundo, inexistente no seu permanecer
Irritam-se as mentes e inquietam os sonhos;
Severas palestras num choro de criança me atropelam,

Ao som do abandono.

Divindade adquirida em sonetos assombrados em telhados,
Quebram os incertos passos vadios.
Gatos da noite em fuga,

Ecoam as vozes bem longe num refúgio,

Penetram-me a alma;

Acariciando as patas firmes sobrepostas em ti

És alvorada, ou incerteza

Num orvalho em canção de fado sem melodia.