sábado, 27 de novembro de 2010

"controlo"




O corpo é o reflexo da alma que dança,
Seduz,
Que pára e controla um dom
Divino, mal-entendido de passagem
Que por suposição se reflecte no ter e não ver
Que assumes consciente ,
Arrogante nesse teu subtil olhar
Capaz de seduzir a vaidade no seu estado mais puro.
E diante do espelho és apenas carne,
Ossos , nervos e insatisfação
Que caminha integra na sua simples maneira de acreditar
Que o poder de ver o que não está se afirma constante nessa mágoa.
Um desejo, na forma mais complexa dos teus sentidos
É a imagem que vês, que foge mesmo antes de a veres em si
No receio da desilusão que corre mais do que a própria quando o traz.
Partiu na saudade ,
Voltou na ilusão que te fascina ,
Que te faz sempre querer voltar
À rotina suicida viciada no controlo de cada passo que dás.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"instinto"


É aliciante um respirar
Puro,
Genuíno num mundo aparentemente acolhedor
Que crava o veneno no peito quase desfeito
Pelo noção de que uma palavra não o mata,
Mas apenas lhe causa dor.
Consciente que o vento acalma a ânsia
Do pequeno selvagem que caminha lado a lado,
Sobre a Terra que pisa,
Que tanto lhe sabe a metamorfose amarga
Onde o Sol devia ser Lua
E a terra devia ser mar.
Um mundo ao contrário,
Na confusa mente humana perdida,
Entre o céu divino e a luz natural
Chamando a sombra a cada passo que dá,
Pedindo a autorização a cada músculo
Suplicando pela vida a um ser que não vê.
A vida é um segundo mal conseguido
Como a paixão inconsciente,
É pura Natureza,
Instinto animal,
Que procura num rasto um milagre inesperado
Como carne, ferida e ar.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"acção inacabada forçadamente iniciada"


O seu coração batia a mil ,
Mas quando sentiu o vazio do abraço envolvente sentiu-se reduzida a pó.
A indiferença,
O sarcasmo coberto de tristeza misturado com a raiva que transcendia para além do meu olhar
Faziam faísca com as palavras sofridas ,
Sentidas, destruídas em si.
Era talvez o tempo de desaparecer,
Escolher, ser alguém para lá de ti.
Fingir que o hoje não dói e acreditar que o "nós" não vem mais.
Talvez tropeçar no problema e subir até ao ego e permanecer
Na vontade, desligar o motor cardíaco e deixar-me ir
Com o tempo que escolheste ,
Que te lembrarás com saudade e não poderás voltar
Ao mundo que deixas partir aos pedaços em dois caminhos opostos,
Estupidamente ligados por dois sentimentos claramente manifestados pela realidade que,
O fim da acção inacabada forçadamente iniciada termina aqui.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"renascer"


Quando o frio envolve a noite e a chuva quebra o silêncio,
É no teu abraço que quero permanecer.
Quando o orvalho vem devagar rasgar a manhã e acalmar a tempestade,
É o teu respirar que quero sentir.
E quando o sol surge escondido pela manhã fora com medo,
O sabor do meu beijo envolve-se com o teu.
Tempestade de beijos.
A paisagem cinzenta que aproxima ainda mais o teu corpo do meu.
Eu fico,
Tu ficas,
E ela vai,
Saudade carregada pelo novo desejo intercalado com o desconhecido que vi.
O momento que aquece a alma tanto quanto aquece o tempo
É realidade num sonho inacabado,
É sol de verão num inverno a decorrer
No pecado mortal que transporta a dimensão até,
Talvez a pequena luz no tempo em que o corpo nos vê renascer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

"disfarce"


Entre os lençóis dois corpos imaginários
Suados na manhã fria que aproxima a solidão.
Numa noite inventada, a troca divina é um despejo espiritual
Onde o pensamento permanece
Como o tempo confuso e distante que é o teu sabor,
Único,
Regado por saudade que não vem só.
Na noite és selvagem segura,
Na manhã és indiferença que arrefece.
Quando a insegurança festeja a fraqueza do teu ter e não querer
És a alma perdida parada no momento,
Pois é certo que amanhã já não estás.
E se,
As feridas não saram e os ventos lá fora não mudam,
O meu desejo será pecado que carregas
Pelas lágrimas que não secas suportadas pelo meu olhar.
Assim eu fico
E assim será,
O teu corpo e o meu evaporam pela imobilidade de um disfarce
Que ensaia o limite,
Até onde a minha consciência citar que o teu rosto é só mais um
Nessa tua identidade confusa onde me perco,
Sem ultrapassar a barreira do querer-poder estar
Nos lençóis agora calmos, nas noites em que me afastas
Como um acto (in)voluntário que idealiza o movimento num corpo só.
Corpo esse que as minhas mãos desejam tocar,
Naquele que pensaram ser um sonho
Atropelado pela fisionomia distante que me viu
Cair,
Sentir,
A dor dos teus lábios marcados por outro alguém.
Quando as mentiras e chagas surgem espelhadas em ti,
A verdade viverá escondida se o amanhã correr mais que o tempo,
Porque os olhos que vejo já não vivem em mim.