Noite após noite sentada no sorriso das escadas do tempo. Na luz que projectava a felicidade, situava-se agora o mundo nocturno envolto de lágrimas prateadas, mergulhadas em lucidez escada após escada, acabando sempre por chegar ao infinito do martírio. De volta a luz do sol, longe do único refúgio que há em mim, mentes mal inspiradas que me olham e me fazem perder na súbita luta quotidiana do saber-estar. É rouca a voz que se faz emanir cá dentro, gasta pelos delírios das explosões de escárnio constante. Puro êxtase. Eco débil reprimido pela dor de já não saber acreditar. Murmúrios aglutinados pela leve sensação de que hoje sou eu e o ontem já se foi. De dia a escada é apenas escada, mas de noite, o segredo conta ao segredo que de noite é o meu refúgio. E o brilho pelo qual se faz pressentir é a verdadeira razão do meu sorriso ainda existir.
sábado, 28 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
oração da noite
domingo, 22 de agosto de 2010
peixe-orgulhoso

Eu não me preocupo mais em cuidar, limpar os restos de musgo espalhado pela maravilhosa visão do meu aquário. Foi invadido por estranhos que se apoderaram da minha fragilidade e preguiça. Entraram e fizeram do meu mundo o seu reino. Confundiram o meu cérebro, e o que resta dele continua a girar em pequenos círculos em desespero à beira de um homicídio em massa. Eu não posso ficar. Fazer as malas e partir é a melhor solução. Antes isso do que mandar todo o mundo à merda e deixa-los sem uma fonte de entertainment. Sou estupidamente generosa, espantoso. Posso sempre colocar a hipótese de que estes sanguessugas podem infiltrar os podres acontecimentos em si e deixar tudo de novo a brilhar, mas é só mesmo uma hipótese. Olho e observo. Olho de um ponto de vista exterior e penso das vezes que olhei de um ponto de vista interior - o mundo parecia sempre muito mais sujo. Agora sou um peixe-orgulhoso fora de água. A poluição já não cai sobre mim. O aquário era todo meu e eu sou a única que não posso entrar.
domingo, 15 de agosto de 2010
respirar

Sou bastante observadora e se por algum motivo suscitar dúvidas é sempre mau sinal, porque sei sempre que tenho razão. E se as dúvidas não forem esclarecidas de forma clara, mais tarde virão ao de cima como os restos de pó mal limpo que sempre encontro na televisão. Nesse caso, obrigam-me a ser a pessoa mais horrível que possa existir e mostrar o meu lado obscuro a que não aconselho ninguém a conhecer. Ainda bem que já não tenho por onde e por quem ter dúvidas. Preocupo-me com os outros, mas tornei-me num ser egocêntrico com uma bolsa de veneno de reserva para quem me quiser iludir. Ai, pessoas. Pessoas de ambos os sexos. Pessoas de todas as cores e feitios. Pessoas sem cérebro. Pessoas sem sal. Pessoas falsas, são animais personificados num eufemismo carregado ao de leve e transportando uma substância invisível que eu bem consigo pressentir - o ódio. Tem um cheiro cativante a aroma de frutos silvestres. E por ser falsamente doce, é fatal. Eu sinto pedaços de loucura ao adormecer e pedaços de alívio ao acordar. Manhã após manhã, um suspiro profundo que me sabe pela vida. É tão bom poder respirar.
sábado, 14 de agosto de 2010
8 é um número muito intenso e concentrado

Se hoje eu não acertar bem as contas com este problema grávido e confuso eu acho que enlouqueço. Tanta pressão acumulada não dá bom resultado. Querem comer-me o cérebro a todo o custo, e o que resta dele , apenas serve de mobília para os meus pensamentos já gastos. Podia simplesmente deixar passar e fingir que não me incomoda, mas são pessoas. As pessoas cansam. As pessoas têm o dom de me fazer atingir o ponto máximo de saturação. Uma pessoa é perigo, 8 é holocausto total. Eu não tenho mel ! Odeio ser um ponto de encontro em círculos mal conseguidos que se repartem em dois. 8 , é mais complexo do que parece. É um número muito intenso e concentrado. Mais uma vez estou de directa, a mobília dos pensamentos vai ficar a funcionar a carvão o resto do dia. Tenho que fazer algo e a disposição não é a melhor. Acho que preferia deixar o algo fazer algo desta vez. Que se matem. Que se atropelem e que haja sangue por todos os lados. Mas sangue daquele que no final eu possa passar apenas um pano e não deixar vestígios. Não gosto de pessoas, vou passar a dar-me com plantas.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
pastilha elástica

Apaixonei-me por uma estranha. Não sei quando nem como, mas sei que foi. Não sei ao certo se é, mas sei que aparenta ser. O calor natural fez faísca com a temperatura do meu corpo em breves segundos que derreteram no tempo. A proibição é palavra-mestre que me vem sussurrar ao ouvido tentações, daquelas que eu quero e não posso ter. Na sincera vontade que permanece, é loucura que age devagar. Ora simples ora complexa. Eu olho, ela toca. Ela olha, eu não posso tocar. É janela que espreito coberta de pó. O meu coração tornou-se flexível a qualquer movimento do seu corpo, a cada gesto que capte a minha atenção. É sempre história impossível inacabada. Já não sou mais de ferro, sou novamente pastilha elástica. E o meu olhar ficou-lhe nas pernas ao ritmo lento da madrugada.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
bang !

Eu estava indecisa, não conseguia ligar todos os pontos do meu corpo e manter uma atitude racional. A cabeça estava afastada do resto do corpo. Conseguia sentir cada batimento apressado do meu coração, que tentava criar um pacto com a minha mente, mas esta não correspondia. Parei de caminhar e finalmente cheguei perto do carro, logo de seguida um sentimento de nostalgia se apoderou de mim. Mas afinal porque é que eu ali estava? Uma jovem loira coberta pela sombra da noite saiu do carro , dirigiu-se a mim e abriu-me a porta para eu entrar. Assim que entrei, logo uma voz rouca masculina inundou o silêncio que se fazia e me desejou boa noite - era a voz do motorista. O carro arrancou e ninguém sabia para onde se dirigia, nem mesmo quem o conduzia. Por fim, ouviu-se o barulho do carro a travar suavemente e fez-se silêncio de novo. Será que alguém sabia o que ali estava a fazer? Certamente não. Eu, apática nos meus pensamentos não conseguia pensar em nada porque as minhas ideias estavam a criar a terceira guerra mundial naquele momento. A jovem sorriu para mim, mas também ela não sabia ao certo o porquê de ter percorrido tantos Km para me encontrar. O motorista decidiu quebrar o silêncio e finalmente perguntar o motivo de ali estarmos, mas ninguém soube responder. Lá fora , apenas se viam árvores e a única fonte de luz presente provinha do carro. Dentro do carro, havia uma ambiente constrangedor misturado com um cheiro a perfume masculino e perfume feminino, onde eu sinceramente já me estava a sentir tonta. Abri a janela para respirar, mas quando dei por mim a jovem já tinha aberto a porta e se tinha sentado bem perto de mim e o calor voltou de novo. Conseguia distinguir agora bem o aroma que minutos antes era apenas uma substância misturada com outra. O perfume era intenso. O motorista saiu do seu lugar e sentou-se no meio de nós e conversámos durante alguns minutos, mas não deu mesmo para mais. Primeiro um toque suave feminino, mas logo de repente senti uma força puxar-me e um toque mais intenso de um corpo mais forte se fez invadir em mim. Não havia motivos concretos. Não havia respostas. Só havia o momento e a oportunidade. E o calor, forçou-nos a usá-lo como desculpa para algo óbvio que três mentes confusas tentavam proteger. Não havia justificações a dar a ninguém. Bang , morremos ali os três.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
I wanna get high!
"EU VOU COM A RAZZ DAR A VOLTA AO MUNDO !
ADORO LEVAR PORRADA DELA E POR ISSO É QUE EU A CURTO TANTO"(a)
/ Razz
ADORO LEVAR PORRADA DELA E POR ISSO É QUE EU A CURTO TANTO"(a)
/ Razz
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Alpinista

Sou como um alpinista que só pára quando a corda rebenta. Enquanto a corda durar, mesmo que gasta, darei sempre uso. Se parar por momentos de agir como louca, o único motivo será a estabilidade encontrada pelo caminho difícil que teimo sempre em percorrer e escalar. Escalar e trepar todas as montanhas que se cruzam no meu caminho é a melhor maneira de me sentir feliz. Tenho agido como louca, mas no entanto, é essa loucura que me mantém sempre com mais energia para dar uso á corda que está prestes a rebentar. Só mais um pouco. Só mais um pouco desta adrenalina que me ferve no cérebro e se assemelha tanto á pessoa que sou. Tenho a corda gasta e estou a escalar uma montanha cheia de perigos. Não tenho cordas de reserva, mas sinto que também não vou precisar. Se cair, levanto-me. Dou sempre tudo de mim, e desta vez não será diferente. Mas nunca espero receber o mesmo, apenas o faço porque me dá prazer. Sou aquele tipo de alpinista que adora andar sempre em risco. Hoje apetece-me não só dar tudo de mim, mas dar tudo e mais alguma coisa.
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