quinta-feira, 15 de julho de 2010

depressão matinal




É bom acordar de manhã sem dores de cabeça e sem o stress a perfurar os neurónios e a sugar toda a pouca paciência existente. Mas de uma coisa estou certa, não há nada mais aliciante do que acordar de olhos inchados e com uma dor de cabeça a rebentar devido ao ataque sentimentalista da noite anterior, e ainda assim, saltar da cama com energia vinda do além para preparar o pequeno-almoço. É bom estar no banho e ter algo em que pensar, nem que seja em problemas. Ao menos deixa-se os problemas fugir com a água que escorre pelo corpo, como uma corrente, tão rápido para que não possamos ter tempo de juntar todas as peças. Deixamos os problemas respirarem um pouco, para que depois do banho possam voltar a infiltrar-se de novo e criar o estado de melancolia. Mas o que mais adoro pela manhã é nem me dar ao trabalho de colocar os óculos para a visão. Lentes progressivas para quê? Eu gosto de ver o mundo desfocado de manhã, para que a minha boa disposição venha acompanhada com o meu sarcástico humor. Admito que o mundo de uma perspectiva desfocada até tem o seu charme. Às vezes quando saio de casa sem óculos e reparo na beleza do mundo, logo me apercebo que falta algo e volto para trás. Na volta, o mundo e as pessoas perdem toda a piada e encanto. Com óculos já consigo ver nitidamente o stress, o ódio, os problemas a frustração em cada expressão. “Bom dia” digo, mas olham-me de lado e passam apressados com medo que o trabalho fuja, como se um acto de boa educação lhes comesse as tripas. Enfim, amanhã lá estarei de novo para dizer bom dia e levar com a indiferença das pessoas. Isso deixa-me deprimida.

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