sexta-feira, 1 de outubro de 2010

lado negro da lua


relembro,
a velha estrada da minha consciência tão turva.
como é difícil pensa-la ainda.
na verdade do não saber, sei agora que há um alarme
da sombra que te assombra a voz primordial.
será fascínio ou aparição que trazes contigo à deriva?
rasgando pedaços de ti na lenta madrugada que chega,
lavando a dor de quem passou e não soube andar
sujando o teu caminho.
ora nada é absurdo,
quando o que pretendes se mistura com o receio
de não querer, não saber.
pois inatingível é a lua
quente,
apaixonante, como o olhar que suporta o teu leve caminhar.
que me arrepia
e apazigua, a inquietação que embate com os batimentos cardíacos
acelerados pela nicotina proibida,
que de passagem actua como antídoto
do pequeno veneno que em tempos alguém criou.
sem saber a nuvem de mágoa que deixou em ti
como a lua que vês através da janela do teu quarto.
é subitamente convincente as palavras que pronuncias em silêncio.
tocam-me,
num olhar meio perdido é difícil descer no tempo
quem sabe talvez até arrancar,
o brilho em ti que se projecta hoje do lado mais negro da lua.

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