
Arranquei o órgão que me faz viver e guardei-o numa caixa a sete chaves, para que a lua possa de novo hoje sorrir para mim. Deitei-a fora e espero não ter que me cruzar com ela de novo, porque chaves mágicas que abrem todas as portas não são de confiança. Levam-te a pensar que são exclusivas para abrir apenas a porta do teu mundo quando por trás, em segredo, encaixam na perfeição na fechadura da porta do mundo de outro alguém. Chaves dessas eu não preciso, até porque se fabricam a toda a hora. É mão-de-obra barata misturada com ilusão de luxúria. Podem parecer divinas e fazer-te sentir invencível, mas é apenas de passagem até a tinta desaparecer. Aí , irás entender que perdeste toda a tua dignidade e que chaves bipolares só os burros é que as compram. eu fui burra, nos tempos em que o vento me cegava e eu não pesquisava bem o conteúdo do material. Agora sou pró na caça de falsificações. Tentei descalçar-me de mim. Pensei que podia correr o mundo nos pés de um desconhecido de passagem, mas a minha alma sabe bem o meu valor. Agora que sou livre, posso eu própria abrir o meu mundo e descobrir melhor o que há em mim. A chave mágica foi útil, mas é agora apenas restos de ferrugem de um sopro nas memórias da minha insónia.
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