terça-feira, 9 de novembro de 2010

"disfarce"


Entre os lençóis dois corpos imaginários
Suados na manhã fria que aproxima a solidão.
Numa noite inventada, a troca divina é um despejo espiritual
Onde o pensamento permanece
Como o tempo confuso e distante que é o teu sabor,
Único,
Regado por saudade que não vem só.
Na noite és selvagem segura,
Na manhã és indiferença que arrefece.
Quando a insegurança festeja a fraqueza do teu ter e não querer
És a alma perdida parada no momento,
Pois é certo que amanhã já não estás.
E se,
As feridas não saram e os ventos lá fora não mudam,
O meu desejo será pecado que carregas
Pelas lágrimas que não secas suportadas pelo meu olhar.
Assim eu fico
E assim será,
O teu corpo e o meu evaporam pela imobilidade de um disfarce
Que ensaia o limite,
Até onde a minha consciência citar que o teu rosto é só mais um
Nessa tua identidade confusa onde me perco,
Sem ultrapassar a barreira do querer-poder estar
Nos lençóis agora calmos, nas noites em que me afastas
Como um acto (in)voluntário que idealiza o movimento num corpo só.
Corpo esse que as minhas mãos desejam tocar,
Naquele que pensaram ser um sonho
Atropelado pela fisionomia distante que me viu
Cair,
Sentir,
A dor dos teus lábios marcados por outro alguém.
Quando as mentiras e chagas surgem espelhadas em ti,
A verdade viverá escondida se o amanhã correr mais que o tempo,
Porque os olhos que vejo já não vivem em mim.

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